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Outubro 2018

quarta-feira, 28 de março de 2018

Santa-mariense que trabalhou como Paquito da Xuxa relembra a sua trajetória

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Egon (primeiro à dir.) junto aos demais Paquitos, entre eles, o ator Cláudio Heirinch (primeiro da esq.)
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A família e os amigos santa-marienses devem se lembrar dele pelo nome de batismo: Egon Barbosa Júnior. Mas, na TV, ele ficou conhecido como Gigio, o Paquito gaúcho da Xuxa. Ele trabalhou com a Rainha dos Baixinhos no auge da carreira da apresentadora, na década de 80 e 90. Gravou um disco, atuou em filmes, fez shows, viajou em turnê com a artista pelo Brasil e por vários países do mundo, graças à fama internacional da loira. Aos 48 anos, é casado com Fernanda Beux, com quem tem dois filhos, os gêmeos Manu e Bernardo, 11 anos. Hoje, dia em que Xuxa completa 55 anos, Egon revisita sua trajetória e conta ao Diário suas lembranças de Santa Maria e dos tempos do Xou da Xuxa.
Diário - Como foi sua infância em Santa Maria?
Egon Barbosa Junior - Morei aí até 1977. Morávamos eu, meu pai, Egon Barbosa, militar do 29ª BIB, minha mãe, Loé Maciel Barbosa, professora no Olavo Bilac, e minhas duas irmãs, Loara e Denise. Fui educado com sólidos princípios de fazer o bem, respeitar as pessoas e contribuir com a sociedade. Meu avô, Dinarte Maciel, tinha uma chácara na Vila Etelvina e distribuía frutas e verduras que plantava nos orfanatos da cidade. Eu e minhas irmãs fazíamos desse exemplo uma realidade. Aos 7 anos, mudamos para o Rio de Janeiro, em função da transferência do meu pai, que atuava no Exército. 
Diário - O que você lembra do Coração do Rio Grande? 
Egon - Íamos muito ao Socepe e à chácara do meu avô. Era um momento muito esperado. Subíamos a serra e eu sempre queria ver, da janela do carro, a Garganta do Diabo. Brincava nas ruas da Vila Militar, onde cresci. Meu melhor amigo era o Edilhandro Gonzalez. Eu, minhas irmãs, ele e o irmão dele, Abimael, temos toneladas de histórias. Tínhamos um circo, criado no fundo do quintal, e cobrávamos ingresso para dar nosso show. Minha irmã Loara, desde muito nova, era uma bailarina exemplar. Meus padrinhos, Hélio e Norma Vieira, saudosos, me brindaram com cinco irmãos: Wladimir, Helionorma, Helionora, João e Luciano. Com Wladi e Luciano, que ainda estão aí, sempre faço churrasco quando estou no Sul. Também visito a prima Sônia Tolfo e os filhos dela, Ana Paula, Carla, Leandro e Eduardo.
Diário - Como surgiu a oportunidade de ser Paquito? 
Egon - Eu conheci a Xuxa em um show ao vivo no Gigantinho, em Porto Alegre. Minha irmã, Loara, foi a ponte. Ela dançava com a irmã da Marlene Mattos, empresária da Xuxa. A própria Xuxa me fez o convite para integrar o grupo. Teria que fazer testes no Rio de Janeiro. À época, eu tocava guitarra e queria ser músico, ou fazer cinema. Mas cursava Engenharia Elétrica na PUCRS e estava com a matrícula trancada, em função de uma cirurgia na garganta. Como eu estava de bobeira, fui fazer os testes e ver o que dava. Trabalhei um ano e meio na produção e assistência de direção do programa de TV e dos shows ao vivo da Xuxa, até receber a aprovação no teste.
Diário - Quanto tempo você trabalhou com a Xuxa? 
Egon - Dos 17 aos 23 anos. Fiz muitos shows, programas de televisão, acumulei a carreira de ator, atuei na novela Despedida de Solteiro, fiz vários episódios de Você Decide, e filmes no cinema, como Sonho de Verão, Lua de Cristal e o Gaúcho Negro. Nestas andanças com a Xuxa, que tinha carreira internacional, fomos para Argentina, Paraguai, Chile, Espanha e USA.
Diário - E como foi conviver com a maior estrela da TV daquela época? 
Egon - Xuxa sempre foi uma pessoa adorável. Ela é uma criança eterna e genuína. É algo que vem de dentro e, por isso, foi tudo o que foi. Como toda grande estrela, tinha suas restrições de não poder andar por aí. Mas sempre que conseguia, nos reunia (Paquitos e Paquitas) para relaxarmos, vermos filme ou para alguma festa. No início, eu era o único de fora do Rio. Nos feriados em que todos viajavam, eu acabava indo com ela para o sítio. Assim, ficamos mais próximos e conhecemos um pouco mais do outro. Sempre foi uma companhia agradável, sem chatices e de cabeça aberta.
Diário - Hoje, você tem contato com a Xuxa e com os outros Paquitos e Paquitas? 
Egon - Tenho sim. Cultivo sempre as amizades verdadeiras. O Alexandre é o único com quem não falo, pela distância física e da afinidade. Formamos um grupo no WhatsApp com a turma do passado. Até a Marlene Mattos faz parte. Já organizamos reencontros, com o elenco e com o pessoal da produção, como o coreógrafo Berry e a eterna mãezona do Paquitos, a inoxidável Vivian Perl, produtora. Vamos fazer um novo evento, em breve, e a Xuxa deve se juntar desta vez.
Diário - O que você fez após o fim do Xou da Xuxa? 
Egon - Voltei a Porto Alegre. Meus pais me acolheram e me ajudaram a reconstruir uma carreira. Descobri uma nova paixão. Estudei Propaganda, na PUCRS, e, então, comecei minha carreira de marqueteiro.Montei uma agência de publicidade, fui professor de cursos de empreendedorismo do Sebrae, fiz pós-graduação em Marketing e mestrado em Gestão de Negócios pela PUCRS. Há 18 anos, fui convidado para participar de um processo para brand management na Coca-Cola Company e ganhei a vaga.
Diário - Hoje, o que você faz? Como é a sua rotina 
Egon - Meses depois de entrar na Coca-Cola Company, perdi meu pai. Mas ele deixou a garra para continuar. Superei este momento e continuei crescendo na empresa. Encontrei minha amada, Fernanda, e casamos em 2002. Em 2004, fui transferido para o Rio de Janeiro e continuei uma carreira crescente. Hoje, represento a Coca-Cola (Europa, Middle East, África), com a missão de desenvolver a estratégia de inovação e uma capacitação para acelerar as inovações que vão mudar o jogo na região, junto com os times de pesquisa e desenvolvimento e marketing das unidades de negócios dos países do grupo.
Diário - Cite um orgulho e um arrependimento...  
Egon - Me orgulho de ter nascido em Santa Maria, berço dos valores que recebi de meus pais e que sempre mantive. De levar a garra da cultura gaúcha como um diferencial competitivo. Orgulho-me de ter tido a cabeça aberta, sem preconceitos, e de ter sido livre para fazer as minhas escolhas. Tento passar isso aos meus filhos. Arrependimento, de não ter ido a Tóquio ver meu tricolor campeão!
Diário - Lembra do passado com carinho ou pesar? O que você projeta para o futuro e qual seu ideal de felicidade? 
Egon - Quero utilizar meu conhecimento adquirido nesses 30 anos de trabalho para ajudar o desenvolvimento social. Tenho um projeto de educação executiva que visa isso. Meu ideal de felicidade é estar entre amigos e em família, fazendo um churrasco, tomando um bom vinho, jogando conversa fora, bem longe de uma segunda-feira (risos). Lembro sempre com carinho. Se pudesse esticar aquele momento.

FONTE: http://diariosm.com.br/cultura/santa-mariense-que-trabalhou-como-paquito-da-xuxa-relembra-a-sua-trajet%C3%B3ria-1.2056931

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